9 de julho de 2015

A depressão e o Direito: pesquisas comprovam que juristas estão em 4º lugar na lista de potenciais suicidas


Juízes, Procuradores, Advogados, Defensores Públicos são indicados por uma pesquisa realizada pelo Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, órgão vinculado à American Bar Association (ABA) como potenciais suicidas, ocupando um preocupante 4º lugar no ranking, ficando atrás dos dentistas, farmacêuticos e médicos, pela ordem de prevalência em tirar a própria vida.
A entidade, que encomendou o levantamento, associa a maioria da ocorrência dos suicídios à depressão, ocasionada por estresse.
A depresso e o Direito pesquisas comprovam que juristas esto em 4 lugar na lista de potenciais suicidas
Em Kentucky-EUA a incidência de advogados que tiram a própria vida tem preocupado as autoridades. O presidente da seccional da ABA, fez inclusive questão de julgar como desproporcional a realidade do estado norte-americano. Um curso de saúde mental será incluído nos programas de educação jurídica continuada obrigatória da entidade. Um dos módulos irá abordar sobre “comportamentos que aumentam o risco de suicídio”.
Em um artigo publicado pela Midiamax de Mato Grosso do Sul, a presidente da Comissão de Biodireito da Seccional do referido Estado, OAB-MS, advogada Geovanna Trad, diz que o estresse, o desapontamento presente em muitos colegas de profissão, além da grande concorrência na área, em virtude da saturação do Mercado seriam alguns dos fatores que levam o profissional ao suicídio. Ela afirma que ao longo da carreira soube de diversas tentativas de suicídio por advogados, assunto que também preocupa a realidade regional. Uma das medidas para colaborar com a estabilidade profissional da categoria são as ações da OAB-MS em prol do‘novo advogado’, com suporte para especialização técnica e colocação de Mercado.
Um médico recém formado não inicia sua carreira ganhando mal, já o ‘novo advogado’ em grande parte das vezes recebe pouco, alguns menos até que uma empregada doméstica, apesar do estudo, da atualização que exige o Direito e a pressão de um escritório. Não é da noite para o dia que um advogado consegue um patamar confortável de proveito financeiro e até conseguir precisa criar reconhecimento, ser eficiente com os prazos das ações e acima de tudo impecável eticamente. Se a opção for o concurso público a concorrência hoje é também absurda”, diz Geovanna.
Para a presidente da Comissão da OAB-MS, que debate a respeito da preservação da dignidade humana diante do avanço tecnológico da Medicina, a não uniformização das matérias, assim como a insegurança jurídica dos resultados nos tribunais conferem também ao advogado fatores de estresse, em virtude da responsabilidade profissional que lhe é atribuída.
“Uma falha ou um desempenho ruim pode definir nos tribunais a vida de uma pessoa, de uma família ou de uma empresa. O advogado é o representante do Direito do seu cliente, que de acordo com a interpretação das sentenças pode ou não ser reconhecido. Uma situação que no nosso país representa uma instabilidade grande, algo reflexivo no estresse profissional do advogado”, relata.
Ao iniciarmos o artigo discorremos acerca da pesquisa realizada nos EUA sobre os juristas de um modo geral, em seguida colocamos o posicionamento de uma representante de Bioética da OAB-MS que tratava, especificamente, dos Advogados e os motivos pelos quais poderiam ser potenciais suicidas, no entanto não são apenas os Advogados (na área jurídica) que estão sujeitos ao grande estresse e se posicionam em 4º lugar, mas também todas as categorias relacionadas ao Direito.
Os Delegados de Polícia, que não foram citados no primeiro parágrafo desse artigo, tem um motivo, qual seja – os EUA não tem esse tipo de Profissional e a pesquisa foi feita naquele país. Mas, como todos os brasileiros já sabem, o Delegado de polícia é um profissional que pode passar por grande estresse no dia a dia, além dele, Juízes e Promotores de Justiça são, a meu ver os que mais poderiam estar sujeitos à ameaça contra a própria vida e de seus familiares, o que os deixa apreeensivos e estressados.

Depressão não é frescura não!

Muita gente pensa que depressão é fricote, bobagem; e quando o caso se dá com uma mulher alguns tem a ignorância de dizer: “vá as compras que isso passa”!
“O buraco é mais embaixo” (vulgarmente falando)! Existem casos de gente que, com dinheiro sobrando para ir as compras, a depressão não passa e os leva ao extemo, que é o suicídio. Depressão é coisa de gente, não coisa de pobre ou rico. Mesmo quando se tem tudo na vida, inclusive saúde, beleza, fama e muitos amigos, ela pode chegar, “grudar” em você e mesmo que tenha o maior dos motivos para viver (filhos, pai, mãe, marido), que te apóie, que te queira bem, que te ame muito, ainda assim a vida deixa de ter sentido e você não vê mais isso como motivo para seguir - infelizmente é assim!
Em 2011 foi a Juíza da 2ª vara do Trabalho de Recife que cometeu suicídio. Lúcia Teixeira da Costa Oliveira tinha 42 anos. O caso aconteceu por volta das 10h45 da quarta-feira 03 de agosto daquele ano. Segundo a Polícia Federal ela teria Pulado do 11º andar do prédio da SUDENE no Pernambuco, onde fica as instalações do TRT, o local era seu gabinete de trabalho. ( leia aqui )
Antes desse caso da Juíza do TRT-PE, alguns meses antes outro Juiz do Rio de Janeiro teria, também cometido suicídio.
(Em 14/04/2015 07h19 ) Um advogado de 29 anos, conselheiro da Associação dos Novos Advogados de Mato Grosso do Sul, caiu do 27º andar do Hotel Bahamas, na região central de Campo Grande, e morreu instantaneamente. Segundo familiares, ele estava em tratamento de depressão havia seis meses, e o quadro teria piorado com o fim de um relacionamento amoroso.
Ainda segundo familiares o fato foi inesperado porque ele fazia tratamento para controlar a doença. No hotel onde a morte aconteceu, a informação é de que os funcionários foram orientados a não comentar o caso. Com o impacto da queda, o corpo sofreu severas dilacerações, sem chances de qualquer tipo de socorro. A morte será investigada pela polícia. Veja aqui.
Em artigo anterior, publicado por mim no JusBrasil falei sobre Suicidologia, no final dele, concluí e escrevi o seguinte: “Suicidólogos (profissional, na maioria das vezes psiquiatra, ou psicólogo), estudiosos do comportamento suicida pouco descobriram acerca do suicida em potencial. Mas o que de verdade já entenderam é que não é apenas um fator que leva a pessoa a suicidar-se. Mesmo que alguém (o próprio suicida deixe nota dizendo o motivo) não é somente ele (o motivo), há várias nuaces que podem ter levado essa pessoa a exterminar o seu projeto de vida antes do tempo. A principal fator é o psicológico, e como em qualquer enfermidade há um desencadear genético (se alguém da família já passou por isso, haverá possibilidade de outro membro da família fazer o mesmo). Pessoas com histórico familiar tem que haver controle maior porque não conseguem lidar com perdas (morte de pessoas queridas), doenças terminais e até perdas financeiras. Foram essas as poucas conclusões que chegaram os suicidólogos”. ( veja aqui )
A depresso e o Direito pesquisas comprovam que juristas esto em 4 lugar na lista de potenciais suicidas
Portanto, não é um motivo que leva a pessoa a tirar a própria vida, há aí uma infinidade de motivos que se agrupam, que envolvem esse ser humano e, dependendo do fator biológico acarretará a enfermidade que muitos dizem tratar-se da "doença da alma". Não depende de ter dinheiro ou não, saúde física, pessoas que te ama e que você também ama - NADA, dependendo do grau da enfermidade psiquiatrica, te deixará feliz e realizada, como puderam verificar nos casos expostos acima. Realização profissional e família linda não foram suficientes para a Procuradora seguir lutando pela vida; ficaria aqui citando dezenas de pessoas com fama e muito mais que preferiram por fim a vida por causa da "malígna depressão" - portanto, respeito e solidariedade com os "enfermos" é bom - considerá-los como fracos e impotentes é também um tipo de discriminação (Psicofobia - também já discorri sobre o assunto no Jus).
FonteMIDIAMAX
Autoria: Elane F. De Souza OAB-CE 27.340-B
Fotos/Créditos: avozdacidadebahia. Com. Br e


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