11 de agosto de 2019

Um estrangeiro em mim!

Sou Lisa, diminutivo de Elisa, tenho 24 anos; acreditava que tinha muito para viver! Chamam-me assim porque meus pais o fazem desde pequena, mas é uma forma carinhosa (não pejorativa)! 

Todos os que conheço e amo me chamam dessa forma (e eu gosto), também o fazem àqueles que passam algum tempo fazendo parte do meu círculo imenso de amizades e até meus seguidores.

Sou uma comediante, muita gente me adora; mas também sou muito odiada porque falo o que penso e ademais tenho uma certa intolerância com pessoas de algumas nacionalidades (mais de umas, que de outras); também pela sexualidade, cor e crença distinta da minha!  

Menina feliz - imagem ilustrativa, não condiz com o conto. Por Pixabay grátis

Todavia, mesmo assim sigo sendo querida, seguida e adorada por muita gente, afinal sou bonita e engraçada; na verdade perfeita para os padrões atuais!

Recentemente, por um desmaio súbito, descobri uma enfermidade cardíaca que pode me matar a qualquer momento se seguir sendo a pessoa proativa que sou - aliás, segundo os médicos (pedi segundas e terceiras opiniões) qualquer esforço maior poderei, literalmente, "bater as botas". Logo, terei que reduzir tudo que faço a menos de um terço - inclusive minhas aparições em festas, meus monólogos de comédia e, sem dúvida a academia que me ajudou a ser a celebridade que hoje sou (perfeita fisicamente), terei que parar.

Os dias passam e começo a ter depressão por estar quase sedentária e permanentemente em casa!

Já não sou a mesma de antes; milhares ainda me seguem, mas estão sempre a perguntar o que se passa comigo?  

Por que desapareci?  

Por que não posto mais os meus shows, minhas fotos de malhação e viagens?

Penso, mas não respondo! Sequer estou podendo pagar alguém para ficar administrando minhas redes sociais; tenho que economizar porque posso precisar do dinheiro e meus pais nunca foram ricos; ultimamente eu os sustentava com minha fama na internet, meus shows, publicidades e aparições em público!

Agora, que será de nós?

Estou fraca e para piorar estou com uma depressão que não me deixa sair da cama! Afortunadamente não tenho vontade de praticar suicídio, sempre fui muito otimista e amo a vida; gostaria de voltar a ser quem era!

O tempo passa e eu na fila do transplante; logo eu que era totalmente contra doação de órgãos! Uma piora súbita e eu vou parar em um hospital - os dias vão passando, o dinheiro diminui e nada de órgão chegar; dependo da morte de alguém compatível comigo para seguir viva!

Um aviso chega aos meus pais e eu acabo sabendo: Estamos ficando endividados, não podemos mais manter-me a mim em um hospital privado! 

Eles irão me transferir para um hospital do S.U.S.

"Sorte a minha" que vivo em uma grande cidade do Brasil - há vários hospitais públicos meia-boca, mas a prioridade é para quem está como eu estou - à beira da morte, e agora a primeira da fila em aparecendo alguém compatível!

Felizmente consegui a vaga em um desses hospitais públicos, tudo por influência minha (os médicos gostavam de mim como "celebridade" que era), assim que intercederam conseguindo esta vaga no SUS; o jeitinho brasileiro que passam por todos os âmbitos do país, também foi validado por mim como usuária: e pensar que tinha asco de hospitais públicos, agora era feliz por poder utilizá-lo!

Melhor que a morte, certeza que era!

Então fui ficando. Não podia voltar para casa porque não tinha como seguir viva sem os aparelhos públicos que se ligavam a mim!

Mal conseguia falar com meus pais (só uma vez por dia, em hora de visita, e rápido); mesmo assim, fiquei sabendo que durante o tempo em que estava alí, dois corações haviam aparecido, mas não eram compatíveis comigo!

Chorei, mas não desesperei! Torci e rezei para que mais alguma alma boa morresse, fosse doadora e compatível comigo! 

O que queria era viver - não importava de onde viesse o doador!

Parece que o Deus em que eu acreditava estava comigo!  Depois dessa tristeza e desesperação em prol da morte de outro ser humano, uma "boa notícia" chegou!

Uma pessoa bastante jovem, apenas um ano mais velha que eu havia falecido em um acidente, teve morte cerebral, era doador e tinha o coração perfeito para mim - compatível e em super bom estado (não era fumante, não era alcoólatra e melhor - era quase um atleta; estava em plenas condições de saúde)!

Assim que Lisa não se conteve! Estava plena e feliz; super confiante que tudo daria certo, e deu!

A operação foi um sucesso!

Em alguns dias ela já estava em casa se recuperando e fazendo tudo que os médicos aconselharam!

Mas, algo passou!

A depressão seguia com ela e agora tudo em que acreditava havia desaparecido!

- Por que alguém teve que morrer para que eu seguisse viva?

- Por que o 'universo' preferiu a mim, que a esta pessoa que faleceu?

- Sou mais importante?  Sou mais útil?  Sou mais merecedora?

Todas essas perguntas apareceram, mas nenhuma resposta surgiu!

Então Lisa foi procurar, investigar quem era o ser humano gentil e bondoso, que em vida decidira por doar-se, caso morresse! 

Não entendia isso porque sempre foi contra doações de órgãos, tecidos e medula, mas agora era diferente - queria saber porque alguém é assim, porque as pessoas agem dessa forma (se comprometem a doar, independentemente, de quem vá receber)!

Queria ser assim, talvez, descobrindo acabasse com a depressão que seguia com ela, mesmo com coração forte estava sem forças para viver a vida de antes!

Foi em busca de resposta, e mais uma vez, por sua influência passada acabou conseguindo saber quem era o doador!

Tratava-se de um imigrante haitiano, um jovem corredor; um atleta de várzea - um iniciante na vida esportiva que durante uma corrida pelas ruas da cidade, onde estava albergado, fora atropelado e deixado no solo em meio ao sol; felizmente, para Lisa, ele foi socorrido, mas teve morte cerebral em um hospital com estrutura suficiente para retirada de órgãos!

O menino era doador e seus pais não se fizeram rogados: doaram tudo que podiam (olhos, rins, fígado e coração).

O garoto negro, de 25 anos, 1m80cm, já havia corrido em seu país e ganhado alguns troféus; por isso, aqui estava treinando para uma corrida de longa distância! A finalidade principal não era se fazer famoso e rico, mas apenas ganhar algum dinheiro para ele, os pais e irmãos que viviam albergados, com quase nada para sobreviver no Brasil!

Ao saber disso Lisa chorou muito; sentiu que partira o coração que havia dentro de si!

Uma pessoa, de uma das nacionalidades e cor que ela odiava, havia doado vida a ela!

Tinha que fazer algo; não poderia seguir sendo a pessoa que foi!

Sabia que agindo diferente perderia muitos seguidores e admiradores (até porque a maioria era igual a ela - fútil, vazia, preconceituosa, racista e xenófoba)! 

No entanto, foi em frente!  Desde então é outra pessoa! Respeita a opinião alheia; a sexualidade, nacionalidade, crença e todas as diferenças que o ser humano possa ter!  

Entendeu que, apesar de sermos diferentes temos uma só essência - somos todos seres humanos; quando menos esperamos, quando a vida nos vai de maravilha é nessa hora que podemos 'cair' nas mãos de um médico negro, amarelo, de outra nacionalidade ou ter dentro de nós parte de alguém que se víssemos na rua nos causaria raiva e asco, pelo simples preconceito que carregamos em nossas almas escuras e impiedosas!

Hoje Lisa dá palestras pelo mundo; virou ativista dos Direitos Humanos e buscadora, conscientizadora da importância da doação de órgãos e tecidos!

Não é mais rica, tampouco mais querida que antes, entretanto garante que é muito mais feliz que um dia sonhava ser!


*Para saber mais sobre transplantes de MEDULA e outros, dirija-se ao REDOME de sua cidade, que é ligado ao INCA - CLICANDO AQUI!

Essa história não tem bases reais; qualquer semelhança é pura coincidência!
Ao copiar, distribuir, replicar ou compartilhar cite a fonte, por favor!
Imagem/créditos: pixabay grátis

Este pequeno conto tem como finalidade conscientizar as pessoas da importância da doação de órgãos, tecidos e medula: Por Elane Ferreira de Souza (Advogada, blogueira e autora da fã page Diário de conteúdo Jurídico e do canal Advogada Elane Souza no YouTube); ahh, estamos também no JusBrasil com o DCJ.

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6 de agosto de 2019

As Marias das redes sociais

Na rua encontro a Maria, minha vizinha de anos; ela passa por mim e mal diz bom dia, com um leve sorriso; tão leve e de canto de boca que quase não percebo que àquilo foi um sorriso com um bom dia!
A mesma Maria, um dia desses me pediu amizade no face e eu, abestalhada que sou, aceitei!
De lá para cá nunca mais passei sem um BOM DIA! 
Todos os dias a Maria arranja tempo para copiar um post, já que não sabe criar, com os dizeres: "BOM DIA AMIGOS LINDOS DO FACE - gratidão"!
Afff, essas pessoas que não passam um dia sequer sem dizer bom dia, nas redes sociais, são as mais chatas da vida real!  
Quando caímos no erro de dar nosso número ou ela consegue e te adiciona no WhatsApp, ADEUS PAZ!
Enfia-nos 'guela' abaixo correntes religiosas, bom dias, notícias políticas e fake news, diariamente - fazem isso como se estivem num modo automático; e por que digo isso?
Porque elas não perdem tempo com pesquisa; acham o post ou a notícia circulando ou recebem no seu próprio telefone e dá-lhes compartilhar com todos da lista -  LER QUE É BOM, não faz parte do dia a dia delas; só passam os olhos no título, creem que com isso já conseguem absorver tudo que tá no corpo da notícia ou post. 
- Pode até haver cristão que aguente isso, mas eu não!
O tempo passou, meu aniversário chegou e de repente um SUPER PARABÉNS dado pela Maria; mais tarde, naquele mesmo dia, por acaso, encontro a Maria na rua e vou agradecer pelo tão entusiasmado parabéns; no entanto, parece que a Maria não é a mesma - agradece, sem graça, dizendo que não foi nada, sigo falando algo, mas ela sequer me dá ouvido.... sai caminhando em direção à Josefa, nossa vizinha em comum (só que mais nova, mais bonita, mais popular e mais riquinha).
Moça com celular no bar - por pixabay grátis
Como Maria já tive muitas amigas no Face, hoje tenho a referida rede social como se fosse um deserto virtual - só sigo ali porque está vinculada a minha página de pequenos negócios; se não a necessitasse já teria exterminado de vez!
Infelizmente, assim são os amigos das redes sociais: salvam uns 10 (dez) quando muito, que nutrem algum sentimentos por nós e, do mesmo modo, nós por eles.
- Por que fazemos tanta questão de números e de falsas celebrações e cumprimentos, curtidas e comentários?
No mundo real ninguém nos reconhece e sequer sabe a data do nosso aniversário!  Não fosse o automático das redes que avisam, seríamos pessoas sem data a comemorar!  Passaríamos anos e só os 10 ou 12 amigos verdadeiros nos cumprimentariam em datas assim (e olhe lá)!
Doces eram aqueles tempos em que as pessoas iam aos restaurantes para conversar, olhar nos olhos; ouvir música, rir das piadas uns dos outros, cantar com o músico local, chorar ou rir de tão bêbado e desabafar!
Hoje, se você ficar bêbada (ou não ficar, mas gostar de conversar) vai falar sozinha porque "AZAMIGAS" estão no celular postando o look do dia, a comida ou o drink que irão consumir.
CONSUMIR? 

Sim, consumir, mas só depois de fotografar a cena perfeita, sem tocar;  depois que esse ritual acabar elas partirão para as rizadas e comentários dos que não estão presente! A ti - que está presente, elas só te darão atenção se for para te fotografar 'babando' de bêbada, afinal postar humilhações também dá likes, curtidas, comentários e rizadas, (entretanto, só farão isso porque são suas amigas - que fique claro, porque se não fossem, não sairiam contigo). 
Os meio/amigos não foram convidados para a "zueira" no barzinho (ou vivem a mais de Mil quilômetros de distância e até em outro país), assim só recebem as fotos que você (nós) compartilhamos. Como "amigos" que são a "obrigação" é curtir e comentar de como você está passando bem, de como está bonita, perfeitamente maquiada e vestida - e a comida então, a que você faz questão de postar, certamente é uma maravilha quando muitas vezes está asquerosa - só tem montagem!
A mesma coisa acontece conosco, aquela foto pode estar 'polida', super editada, sem falar no quilo de maquiagem que levamos e da pose escolhida para postar (após tirar pelo meia dúzia de fotos) - somos casca, vazias e carentes da aprovação alheia!
Atualmente viver é compartilhar; se não compartilhou não viveu!
Obs.: "Marias" não é pejorativo, tenho muitas Marias que amo na vida (mãe, parentes e amigas), foi só uma forma de titular o dia a dia atual (a pessoa do texto também não sou eu - é só um imaginativo baseado no corriqueiro).


Por Elane Souza - proibida cópia sem citar nome da autora

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Crédito pela foto: Imagem pixabay grátis


31 de julho de 2019

Qual é o sentido da vida?

Não ter sentido - nascemos sem pedir e morremos sem querer!

Mesmo sendo a vida sem sentido, a morte nos causa medo; literalmente nos sufoca - inclusive para  os que tem religião e a crença de que há uma vida melhor após à morte, tem MEDO; tem demasiado medo dela; o que é lamentável, pois não devia ser assim! 

Sou até capaz de afirmar que os mais medrosos são os que tem crenças!

Mas, por que isso acontece se vão para um lugar melhor?  Um paraíso, ou céu, um lugar cheio de beleza e amor?  

Deveriam rogar para que o tempo terreno fosse o mais breve possível (economizavam sofrimento), mas não; quando adoecem ou acidentam rogam por tudo que é sagrado para seguir aqui, neste mundo sem sentido, cheio de dor, de angústia, de inveja, de medo e sofrimento!

Quando estão em apuros e correm risco de morte -  oram, rezam muito, clamam pela entidade que inventaram e chamam de Deus, para que lhes poupe a vida ou a dos seus entes queridos!

Seria lindo ver os novos religiosos (de todas as crenças) se igualarem aos mártires cristãos que iam para a morte na Arena de Roma (Coliseu - COLOSSEO), cantando hinos de louvor, mesmo sabendo que seriam devorados por animais ou queimados vivos!

Esses sim, eram verdadeiros cristãos - os de hoje, especialmente os líderes, só pensam na riqueza, no luxo que uma religião lhes pode dar na terra; enquanto isso, as pobres "ovelhas", algumas nem tão pobres assim - (e aqui me refiro à pobreza de crença, de fé), porque umas são verdadeiramente inocentes e crentes; seguem pela fé, mas há outras que se puderem, se houver oportunidade matam, estupram, violam, roubam, traficam, são corruptos ou tudo junto; isso quase sempre acontece por detrás de uma religião (uma crença para o mundo ver - ou para "inglês ver", como acharem mais conveniente); mas se houver um deus esses serão àqueles que receberão, na voz do Senhor, o escrito em Mateus 7.21; qual seja:

Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus, mas àquele que faz a vontade do meu pai que está nos céus"!

Entretanto, para os ateus a vida é aqui; deveríamos desfrutá-la aqui - todavia não é diferente para nós, pois também temos medo - quando digo nós me refiro mais a mim que não tenho crença (sou atéia) e alguns que se 'parecem' comigo (são ateus) e agem como eu ajo. 

Não seria mais coerente desfrutar de tudo, já que tudo se resume a isso aqui?  

A morte é apenas um vazio, um nada; seremos poeira cósmica ou quiçá adubo para a terra! 

No  meu caso, em específico, não desfruto e ainda a considero um asco - totalmente sem sentido, sem coerência; uma insanidade colocar filho no mundo sem saber qual é o verdadeiro propósito da vida; ou será que é mesmo não TER PROPÓSITO, não ter sentido?!

Por outro lado, tenho a esperança de que ninguém (que nenhuma crença) esteja correta! Não quero uma vida melhor em outro lugar; tampouco repetir a vida aqui; queria uma vida feliz agora, pois é o agora que tenho para viver; sonhar que possa voltar a viver outra vida na terra (como creem os espíritas) me dá até vertigem! Passar por tudo outra vez, melhor ou pior, é um pesadelo que não quero ter, nem desejo para os inimigos - se preciso for até oro, rezo e clamo com um pouquinho de esperança, ou seja, um pouquinho de fé!

O tempo é infinito; já nossa vida é um moco, um escarro - quando começamos a entender algo, ou desfrutar de algo ela se vai.

Por que não nos comportamos como uma planta ou um cão? 

Esses não passam o tempo perguntando qual é o sentido da vida e não se  importam quanto tempo estarão aqui, e quando partirão! Apenas agem como planta e cão!  Desfrutam!

Quem não encontra sentido para vida seque perguntando e sofrendo com as dúvidas - as minhas vem desde que entendo estar viva!  

Ainda sem entender absolutamente nada me perguntava: porque tudo é tão angustiante? Por que os sol nasce e se põe? 

Por que chove, faz frio e meus ossos da 'canela' doem? Por que falam tanto de um deus que me causa paúra?  

No entardecer as nuvens se transformam em bruxas, caixões e sobre eles sobrevoam os anjos do apocalipse - cada um com uma cara mais medonha!  

- Porque me fazem isso, sou apenas uma criança de 6 anos? 

Eu deveria me sentir amada; não tenho pecados, não pedi para nascer?  

Estou pagando por algo que não sei? E se não sei, porque estou pagando?

A criança cresceu, mas as perguntas seguem sendo quase as mesmas, só que agora já devo ter muitos pecados! 

Afinal, viver é sobreviver, passar o tempo, esperar o momento final ou tentar encontrar a felicidade em meio caos?  E se encontrar, estar sempre feliz em meio ao caos não é meio que insano, não é agir como um abobalhado?

Realmente, após cinquenta anos de vida não dá para continuar buscando o sentido da vida - estar mais para lá do que para cá, só me deixa uma certeza: a vida é um amontoado de contexto sem sentido nenhum!

Por Elane Ferreira de Souza (ao copiar ou redistribuir, cite a fonte).
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*Abaixo, um vídeo com com transcrição do texto com música de fundo!

22 de julho de 2019

O tempo não para...

Tic, tac, Tic, tac, Tic, tac....

O relógio não pára;

Estamos em 1969, período militar, quem governa o Brasil é o General Costa e Silva  - e ele o faz por meio do Ato Institucional mais duro da História - o AI 5, um tipo de Constituição que segrega, prende, tortura, mata, censura e até há um certo "toque de recolher"!

Todo tipo de pensamento e atitude distinta do que é pregado pode ser considerado ato de rebeldia e as pessoas que o fazem podem ser presas, torturadas, exiladas e até mortas por pensar e querer um governo mais aberto, mais liberal!

No entanto, é nesse momento que o Homem  chega à lua - não que o Presidente do Brasil, o de então, tenha nada a ver com isso; mas verdade seja dita, é um momento histórico para o mundo!

Final de junho daquele mesmo ano outro fato histórico!

Nasce Elane, uma pequena, chorona e questionadora criança - quiçá, tudo isso desde o ventre!

A pequena que chorava e questionava o mundo e os porquês, nunca obteve respostas - 50 anos passaram e ela sengue sendo a mesma chorona e questionadora de sempre!

Porque nascemos?  

Porque viemos ao mundo, sem que alguém (de algum lugar) nos questionasse se queríamos ou não estar aqui?  

Qual a finalidade disso tudo?  

Porque uns sofrem mais que os outros?  

Porque uns sequer usufruem do que chamam vida?  

Qual a finalidade do bem ou do mal estar?  

Para onde iremos após este pesadelo?

Viemos do nada e iremos para o nada?  Ou viemos do cosmo e retornaremos?

Quem não tem perguntas não merece respostas!  Quem não questiona nada e traga tudo, é um depósito!

Quando se tem tantas perguntas sem respostas fica difícil viver; mas, ainda mais difícil é acreditar em algo que não há provas; caminhar no escuro em direção ao NADA e crer estar caminhando em destino ao céu, ao paraíso ou a uma nova vida - uma reencarnação neste mundo de sofrimento, de dor e angústia!

Mas, reencarnação não parece ilógico?

Voltar a viver para pagar pelos erros que não sabe ter cometido?

Verdade que seria duro saber que está de volta - mas voltar a vida e reviver quase as mesmas agruras é por demais insano!

Perguntas que quiçá nunca possam ser respondidas; mesmo assim, caminhando em direção ao NADA, à escuridão eterna, prefiro acreditar que nunca mais tenha que pisar aqui - sou uma ET neste mundo; vivo à margem, sempre dando o melhor que há em mim; nunca esperando alcançar NADA - porque se vim do nada, sem pedir e terei que deixar este mundo o máximo que posso fazer é agora, e pelo agora - se hoje é o único que temos; se o passado não volta o que mais posso fazer a não ser o presente meu e o de alguém!

Doe-se, mas não espere nada em troca - nem do próximo que recebe, muito menos da eternidade ; seu momento, meu momento, nosso momento é agora - o amanhã nunca chega; quando chegar será hoje e o que você queria fazer naquele momento já será passado!
Elane Ferreira de Souza e o tempo

Por Elane Ferreira de Souza (Reflexões do dia de hoje) - ao distribuir ou copiar cite a fonte!

10 de junho de 2019

P.A.S - Pessoas Altamente Sensíveis: características

No Brasil a sigla P.A.S se pronuncia como a homófona do substantivo comum paz, que curiosa e coincidentemente é semelhante no sentido, em se tratando de trocadilhos, mas nada tem a ver uma com a outra!

No final do texto explicaremos o porquê do destaque*¹, via repetição desse mesmo destaque.

P.A.S é a uma sigla que foi criada, mais ou menos na década de 1980 (no Séc. passado), para denominar as pessoas que seriam Altamente Sensíveis. A Autora do estudo que descobriu o traço é a Psicóloga Americana Dra. Elaine Aron com colaboração de seu esposo, o Psiquiatra de nome Arthur Aron. 

Após mais de 30 anos de existência, ainda hoje é considerado um descobrimento "recente" e desconhecido até de alguns profissionais da Psicologia.

Elaine Aron só decidiu se aprofundar no conhecimento de si, e de centenas de outros indivíduos porque queria saber se existia outras pessoas como  ela; com as mesmas sensações e incômodos; após se casar com Arthur Aron, Psiquiatra, juntaram conhecimento com uma extensa pesquisa e acabaram concluindo que Elaine não sofria nada - pelo contrário, teria uma traço de personalidade mais aguçado que a maioria dos seres humanos.

Pessoa emoção por pixabay grátis
Segundo ela, em seu livro publicado pela primeira vez em 1996, intitulado The Highly Sensitive Person, traduzido para o espanhol como "El Don de La Sensibilidad", cerca de 15% a 20% da população no mundo são P.A.S (homens e mulheres, na mesma proporção)!

No meu caso, foram 7 meses de estudo intenso procurando uma definição para os sentimentos e sensações misturadas que sempre tive; pelas visitas a 3 Psiquiatras e 2 Psicólogos sem uma resposta válida e eficaz (apesar dessas visitas só começarem aos 46 anos); cansada de tudo, sem diagnóstico, a poucos dias de completar 50 anos, FINALMENTE entendi quem sou - faço parte dos 15% a 20%  P.A.S no planeta!

Por não se tratar de uma doença, Elaine Aron, em seu famoso livro (já citado), criou um Teste com 22 assertivas que devem ser contestadas com SIM ou NÃO. Quando a quantidade de SIM for menor que 14 há uma probabilidade que seja mais sensível que algumas pessoas, mas NÃO que seja Altamente Sensível; no entanto, quando o SIM ultrapassar 15 (das 22) é bem provável que seja uma P.A.S - Pessoa Altamente Sensível.

ATENÇÃO: A Dra. Aron faz questão de frisar que não existe
um Teste Psicológico preciso para determinar que uma pessoa  é P.A.S ou não; mas há 4 (quatro) características que são BASE; sem uma resposta positiva a TODAS elas você não é Altamente Sensível; veja a seguir quais são:


  1. A pessoa dificilmente pode remediar sua tendência a processar toda a informação recebida de uma maneira intensa e profunda. Rumina os temas e geralmente dá muitas voltas.
  2. A pessoa chega a saturar-se e sentir-se superestimulada quando tem que processar muita informação (sensorial ou emocional) de uma vez só, por exemplo: estando em um concorrido centro comercial na hora do rush;
  3. A pessoa vive a vida com muita emotividade; se emociona com facilidade ante a uma interminável quantidade de coisas que lhe tocam a alma por sua beleza e pureza, mas da mesma maneira por sua tristeza ou quando sente uma profunda impotência. Isso pode dar lugar a uma intensa empatia, uma característica que também forma parte do traço da Alta Sensibilidade.
  4. Em quarto lugar, cabe ressaltar uma elevada sensibilidade, não somente enquanto aos cinco sentidos (visão, olfato, paladar, audição e tato), senão também em se tratando de sutilezas com as mudanças do entorno ou em se tratando do estado emocional das pessoas que tem em frente. 


Por isso, e  por todos os artigos que já li, em Português e Espanhol; por ouvir o audiolivro da Dra. Elaine (3 vezes), e muitos outros discursos e palestras em vídeo, realizados por Psicólogos e Pessoas que se descobriram com esse traço (Artistas de todos os gêneros, Professores, Coaches, Filósofos, Médicos, Voluntários de ONGs, Cuidadores de idosos e crianças, etc) acabei me descobrindo com este traço, só então  tive uma certa Paz!

Durante a juventude, geralmente os que se descobrem P.A.S. usam de uma "couraça" para se encaixar na sociedade; eu mesma utilizei (na pré-adolescência e na Adolescência); especialmente na escola - mas, mesmo assim me comportava estranhamente e sempre me indignava por tudo e por nada. 

Não me concentrava, o excesso de ruídos internos e externos, pensamentos devastadores e angustiantes deixavam-me exausta!

Em casa, muitas vezes me recolhia em meu quarto; quando ainda não tinha um (em um canto qualquer), sem falar com ninguém!

Na infância, o comportamento era de uma criança chata, chorona, mas também travessa. Certa vez até coloquei fogo na "casinha" da roça onde vivíamos - por pouco, eu, com apenas 2 anos, e o restante de minha família, não fomos morar no relento!

Não aceitava o 'colo' de ninguém; era difícil sair do lado de minha mãe! Eu estava sempre ali, grudada, chorando na "barra da saia" dela, sem saber o que queria ou aonde doía! Impossível deixar-me com alguém para fazer algo fora - ainda bem que nossa moradia era no mato (na roça)!

Aos 9 (nove) anos de idade fomos todos os 7 (sete) integrantes da família, já incluído os pais, morar na capital!

Com 10 ou 11 anos ainda fazia xixi na cama, e minhas duas irmãs mais novas não! Com a mesma idade citada chorava para dormir (desta feita, escondida debaixo dos lençóis) e da mesma forma, acordava chorando!

Sempre tinha pesadelos! Durante o dia as núvens do céu pareciam bruxas, caixões, guerras, armagedom ou anjos do apocalipse - tudo afetava meu humor e me entristecia demasiado!

Parece que eu não devia ter nascido! Esse mundo não era para mim e os culpados eram meus pais que me tiveram; mas, em seguida, internamente, entristecia por culpá-los; rapidamente voltava a amá-los e necessitá-los, mais que tudo! 

Desde que me entendo tenho sensibilidade ao calor intenso (provoca algo parecido urticária) e ao frio intenso (manchas roxas); as etiquetas de roupas me dão coceira e alguns tecidos também; à luminosidade intensa do sol ou artificial "me cega" e faz lacrimejar, igualmente o vento frio; os ruídos altos, as músicas tristes (especialmente as tocadas por piano, violino ou românticas demais); tudo me incomoda demasiado!

A morte violenta de conhecidos ou de desconhecidos, presenciadas na TV, sempre foi considerada por mim uma perda particular (o choro dos velórios são absorvidos como se a pessoa morta fosse um filho, pais ou irmãos - choro desconsolada pela tristeza e choro dos outros - não pelo morto, que já não está sofrendo).

Todas as sensações e acontecimentos ao meu redor são levadas muito 'à peito' (como se fossem pessoais): mal trato a um idoso e crianças; mal trato animal, a devastação das florestas, a matança de indígenas, a falta de educação no trânsito, a falta de compaixão de uns para com os outros....; dependendo do que for choro, ou fico indignada e vou para cima da pessoa com uma crítica ferrenha - mas nunca agrido ninguém!

A sensação que sempre tive é que o mundo não está feito para mim! Não que eu seja melhor, nem pior - apenas não me encaixo, não coaduno com barbaridades, com vingança; tampouco guardo rancor! 

A dor alheia é quase como minha (sou 'praticamente uma esponja'), e devido à falta de informação e orientação psicológica, durante anos fiquei à margem da minha dor e da dor dos outros - isso me levou à depressão e ansiedade!
  
Só agora, com 50 anos, descobri quem sou! Mas a jornada foi dura! Para isso passei pela Filosofia e Psicologia; até esqueci da minha própria formação (Direito) para dedicar-me ao auto-conhecimento e do mundo!

Valeu a pena e tem valido - agora busco aprender sempre mais sobre o planeta e os outros seres humanos! Infelizmente nunca saberei 1% do que gostaria; mas, quanto a mim, desvendei - tenho um "dom", diz o teste da Dra. Aron; entretanto, eu ainda não consigo enxergá-lo totalmente como um Dom, felizmente também não vejo como uma maldição.

Bem trabalhado, pode sim ser um Dom. Amar o próximo, ter compaixão e demasiada empatia não pode ser uma coisa ruim; seguramente, quando a depressão e ansiedade se forem, entregar-me-ei à uma boa causa; por enquanto ainda faço o que alguns P.A.S. fazem: recolher-me na penumbra de meu quarto; lá fora há muito ruído; há muita desgraça; muita sirene; muitas agressões; falta de educação; falta de gentileza e quase nada de empatia.

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Aos poucos, seguramente estarei melhor; afinal é um regalo dos Deuses descobrir que tenho algo de muito bom em mim; estava exausta; sentia fraca, sentimental demais - tinha e ainda tenho vergonha de chorar por tudo que se passa no mundo; mas esta sou eu, não tenho muito como trabalhar algo que é de minha personalidade (quiçá é uma herança genética de minha doce mãe)!

Outra coisa boa dessa descoberta é que agora me entendo: apesar da depressão e ansiedade pelas coisas ruins, assim que via, sentia ou presenciava algo bonito ou bom para alguém ou para mim, a felicidade tomava conta e segue tomando conta do meu ser!  

Menina emoção por pixabay grátis
Sabores, cheiros, a beleza do mar, das montanhas, um bom filme, uma paisagem bela, um cenário ou monumento medieval me encantam, transformam meu dia para melhor, é como se a depressão não existisse! 

No fundo, no fundo os P.A.S só querem PAZ*¹ e amor para ter uma vida mais feliz e fazer os demais também felizes, por isso se enfurecem e se entristecem tanto com as desigualdades sociais e a falta de empatia de grande parte do restante, que é 80% da população!

Todavia, apesar de só desejar a paz, ficamos facilmente  indignados e somos intolerantes com certas atitudes ao nosso redor; sem falar que não nos cai bem as críticas pessoais e a grosseria 'injustificada'!

Dos 80% da população citada acima, ainda há os com Transtornos de Personalidade Antisocial, Narcisistas, Borderline, Psicopatas, bipolares;  os com doenças mentais, os Autistas, os Esquisofrenicos e finalmente os "neutros" (os normais - que na minha opinião de indignada, que naturalmente sou, são os "TÔ NEM AÍ, ENQUANTO NÃO FOR  COMIGO NEM COM OS MEUS")!

O mundo necessitaria de mais P.A.S para ter paz e menos corrupção (20% da população é pouca gente); quiçá, houvesse o dobro do que há e alguns trilhassem o caminho da política - cansada de Narcisistas e Psicopatas no poder!

Por Elane F. Souza (Advogada, autora e administradora deste blog e de outros que são exclusivos de Direito);
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